Se engana quem acha que devemos buscar humanidade em nossas lideranças. Privacidade e simplicidade são pra nós, humanos, que não almejamos a história e vivemos com poucas responsabilidades e baixos níveis de ambição. Aos tiranos e projetos de Messias, sedentos de poder, embevecidos e enganados pelas suas próprias tristes figuras, o ônus de toda a pompa e circunstância.

Se querem a glória, que se apertem em cintas e permaneçam em pé por noites a fio cumprimentando desconhecidos que buscam favores dessas tortas divindades terrenas. Se querem poder, que comam o pão que o diabo amassou confrontando desafetos habilidosos ou controlando aliados enlouquecidos. Se querem um espaço nesse panteão de ídolos com pés de barro, que vivam para servir de exemplo.

Pois, a essas figuras trágicas, a humanidade só é reservada às derrotas: trocando seus reinos por animais de carga; declarando na televisão uma honestidade que nem eles mais acreditam ter; vendo suas estátuas serem derrubadas pelos mesmos idiotas que os apoiaram.

Mas o problema não são esses candidatos a lendas improváveis, nem a liturgia do cargo. O problema é o poder. Se desejam se viciar nele, que paguem seu preço mortal.

Enquanto isso, se quiserem nos procurar, estaremos com nosso chapa Diógenes, em seu barril, pegando um bronze, antes que esses falsos deuses venham ficar na frente do nosso Sol.