2018.12.24

Os vizinhos da frente terminaram a sua mudança hoje. Não havia alegria ou entusiasmo. Para dizer a verdade não vi nenhum deles, só uma faxineira emburrada e carregadores discretos e solícitos. A porta aberta e a casa vazia numa data comemorativa me passaram uma sensação ruim. Fuga, abandono, morte em família. Os vi pouco no tempo que moro aqui, mas torço que estejam bem e eu errado.



Sou tão pessimista que gostaria de ver um concurso de profecias negativas entre mim e Cassandra. Aposto que ganharia. Pronto, já perdi.



Comemos sushi de almoço nos preservando para a comidalhada da noite. Tem um gostinho de proibido, quase como um pecado quase mortal. Exatamente como quando comíamos em churrascarias rodízios na sexta santa no final dos anos 80. A única vantagem da volta do conservadorismo é exacerbar a sensação de prazer nessas pequenas transgressões. Daqui a pouco vamos voltar a assistir pornochanchadas escondidos em cinemas.



Ainda esperando a chegada da gatinha. Já até senti o cheiro de urina enquanto preparava o seu local de xixi. Ainda tenho um certo trauma dos dois meses que passei cuidando de seis gatos que se odiavam num apartamento abafado do Humaitá. Foi aterrorizante mas válido. Tudo é.



Os gatos tinham nome de detetives ficcionais e escolas de samba. Poirot, sherloquinho, imperatriz são os que lembro. Gostaria de lembrar dos demais.