Lisandro Gaertner

Decadence avec élégance

2019.05.04

Como as menores coisas nos mudam. Agora que vivo com dois gatos, acho a maior graça dessas tiras com bichanos. O lance tá tão sério que hoje estou com a maior vontade de me deitar com eles e ler o Garfield Omnibus.

Que diabo aconteceu comigo?



Mais um dia limpando feeds de coisas que eu nunca leio. Preciso dar um basta nessas pendências que não significam nada.



Nova exposição no Oi Futuro. Vídeo instalações, esculturas feitas de balas e uma câmara acústica controlada pelas suas ondas cerebrais. Confesso, com vergonha, que adoro essa arte eletrônica pós anos 80.

Entendo por que acham enganação. É basicamente conceito. O artesanato, que é realmente mínimo e pouco importante, é todo terceirizado. A discussão "é arte ou não?", nesse caso, é totalmente pertinente. Mas, e daí se não for?

Não sei se a intencionalidade estabelece a obra ou a justifica. Não sei se a autoria e esforço a qualificam. Não sei, não sei, não sei.

Então, melhor não saber e aproveitar. Deixo a discussão conceitual para os que não conseguem aproveitar as coisas como elas são.



Terminei a noite lendo Garfield. Continua ruim, mas entendo por que eu gostava na época. Como os mestres cervejeiros dos anos 80 que ambicionavam copiar a Skol, quais eram as minhas referências? Porém, confesso, até me diverti com algumas tiras.

Vou botar a culpa na Nostalgia.



Hoje exagerei nas confissões. Confesso, isso me incomoda.

2019.05.03

Pra variar as coisas sempre aparecem no último momento e cheias de poréns. A pressa é inimiga da perfeição, mas facilita quando tem alguém pra tocar o barco pra você. O problema é quando você é quem toca o barco.



Alícia está indo de vento em popa na Ginástica Olímpica. Não podemos deixar ela desanimar. Lembro o que o corte do meu pai causou em mim.

Nossa memória é um antro de realidades paralelas não concretizadas. No que mais podemos nos fiar para evitar de cometer os mesmos erros que cometemos ou que cometeram conosco.



Tudo é distanciamento histórico.

2019.05.02

Agora finalmente começa o período do ano sem feriados. Dos grandes pelo menos.



O problema de tudo é a espera e a sensação de que poderia estar fazendo algo mais. Será verdade ou apenas ansiedade de se manter em movimento?



Pelo jeito vou terminar o curso de Séries com o piloto das Voluntárias. Melhor finalizar o que começamos. Sempre na mente a questão "vale a pena investir?".

Quanto mais temos a fazer menos isso faz sentido. Quanto menos, mais nos angustia. Vivemos pela expectativa de recompensas. Serotonina artificial não torna isso nada mais fácil.



Haja taoísmo para lidar com essa crise nacional.

2019.05.01

Dia do trabalhador. Do jeito que a coisa vai, em breve, vamos comemorar o dia do desempregado.



Em Wag the dog a gente até torce pros conspiradores, pois o que eles fazem parece totalmente desassociado das nossas vidas. Hoje em dia descobrimos que não está.

O que me incomoda mais é o nível de amadorismo dos conspiradores do mundo atual. Sinto falta da elegância e inteligência dos vilões de antigamente. Kissinger, Nixon e tal eram um bando de fdp mas sabiam das coisas e souberam cair como os personagens históricos que foram.

As lideranças malignas de hoje em dia não tem noção da sua maldade e se acham os heróis de uma guerra inexistente que só serve para tentar resgatar a sua masculinidade infantil ameaçada por um novo mundo.

Enfim, somos vítimas da crise da meia idade de um bando de machistas ignorantes que não sabem lidar com sua própria sexualidade.

Nixon e Kissinger deixaram pelo menos grandes livros, como Na Arena e Diplomacia. O que restará desses vilões de história em quadrinhos? Meia dúzia de tweets raivosos e mal escritos? Talvez nem isso. Afinal quem disse que a humanidade sobreviverá a esses moucos?



Trocamos a narrativa coerente pela excesso de desinformação. Hoje o debate é impossível pois não há tempo ou ouvidos para a disputa de narrativa, só o grito inumano do medo e do ódio.



Como mexer nas nossas narrativas?



Algo que realmente me surpreende em Wag the Dog é a quantidade de cenas do De Niro dormindo sem a menor dor na consciência.



Stanley Motss:
What did television ever do to you?

Winifred Ames:
It destroyed the electoral process.



Enviada a minha participação em dois concursos literários. É bom se mover. Mesmo que lentamente.

2019.04.30

Fim de mês. E nada mudou. Ainda tem umas 15 horas pra me contradizer, Abril.



Toda vez que vejo Maverick imagino como as filmagens devem ter sido divertidas. Só isso explica a ligação que se estabeleceu entre Mel Gibson e Jodie Foster.

Ainda lembro de ter assistido ao filme no Art Copacabana, depois da faculdade, onde hoje é uma loja de departamentos ou de sapatos.

Achava que era infeliz mas estava bem. Provavelmente vou olhar pros problemas de hoje da mesma maneira no futuro. O passado sempre vai parecer melhor, pois de uma maneira ou de outra tudo ficou pra trás.



Vamos lá curtir umas microférias. Afinal hoje é sexta feira. Virtualmente.



Zappeando esbarrei em Cenas de um Shopping, filme menor de Paul Marzusky com Woody Allen, só atuando, e Bette Middler. É quase um precursor de Antes do Amanhecer, só que com gente velha. Talvez tenha um pouco inspirado o Linklater. Não, claro que não. Estou brincando.

Mas tem uma coisa que une todos esses filmes de falação. Meu Jantar com André, Clerks, Mallrats, A trilogia do Antes. Todos são o pior do teatro filmado e ao mesmo tempo uma maravilha como gênero em si. É como a documentação do flâneur. Tá explicado por que eu gosto tanto deles. São os filmes de ócio, onde nada acontece.

Talvez eu sinta falta de ter esses tipos de papo.



Talvez seja por isso que eu escreva. Para ter esses tipos de papo.

2019.04.29

Valeu a pena ficar acordado pra ver a Batalha de Winterfell. Escura, brutal, confusa e quase sem diálogos. Exatamente o que desagradou muita gente. Me senti vendo o Encouraçado Potemquim.

Sim, é exagero, eu sei.




Dia de dar uma virada na vida. Dia de Gnocchi da Fortuna. Fiz a barba toda. Pedi ajuda a um grande número de amigos. Vamos ver se isso mexe com a quarta dimensão. Preciso virar esse jogo.



O prédio fechou a água hoje para reparos e as vizinhas esqueceram as torneiras abertas. Já aconteceu comigo. Uma lástima. Provavelmente muita gente vai ficar com raiva delas. Talvez eu ficasse se não tivesse cometido o mesmo erro.

Um dos mistérios do universo é se imaginar cometendo o erro alheio.

2019.04.28

O ataque direto a filosofia e a sociologia é bem significativo. Demonstra como nesse governo é impossível aceitar diferentes formas de comportamento e pensamento. Para eles existe só uma forma: a "normal". Tudo mais é desvio ou patologia. Ignorância, group think e narcisismo são ingredientes perigosos para se misturar.



As festas desse povo devem ser bem chatas.



Uma coisa bem interessante em o artista do desastre é questionar ação artística, intencionalidade e reação. Do que importa a intencionalidade? Reafirmar a identidade do artista pela confirmação de que o que pretendia provocar se realizou?

Quando a obra não for mais assinada, só importa que ela tenha movido o público.



Pensando sobre as associações dos personagens da Marvel: os vingadores são uma estatal onde os funcionários se odeiam; os X-MEN, amigos de escola cheios de problemas pelas relações românticas do passado; os Guardiões da Galáxia e o micro cosmo da Vespa e Homem Formiga são as únicas famílias.

Isso impacta a renovação dos times. Bem mais livre nos Vingadores e bem mais amarrada em Os Guardiões. O tom dos filmes também é afetado. O clima teen romântico impera nos X-MEN, o humor em Guardiões e Homem Formiga, e o Melodrama utilitarista em Os Vingadores.

Talvez esse seja um dos erros da Liga. Os personagens não tem razão pra se unir que não a ameaça externa. Eles deveriam ser mais como uma liga das nações representadas por seus reis.

Deve ter alguém que pensa nessas coisas antes de fazer esses filmes... Ou não.



Outra coisa que está clara é como as franquias podem bloquear a participação dos atores. Se alguém estiver num filme da DC dificilmente vai entrar num da Marvel. Assim como Star Trek vs. Star Wars. Mesmo nas transições Marvel e Star Wars, por exemplo, há poucos casos, como o Benício Del Toro.

A construção desses universos ficcionais fortes pode servir como uma forma de encapsulamento, como nas mitologias nacionais, Será que as franquias são mais um sintoma dessa tribalização e polarização social e política? Na época das obras independentes de universo, havia mais liberdade criativa e de participação. Os cânones, ao mesmo tempo que fingem atender ao público por integra-los com facilidade num universo, o emburrecem.



Mais 4 comidas di buteco. Estou meio cansado dessas maratonas. Hoje tudo se justifica pelo prazo curto. Cinema, comida, eventos. Tudo é urgência artificial. O mundo virou push. Antes, quando a gente tava no comando tudo era pull.



É culpa da internet, diz Tirésias, o cego.



Se bem que estou bem curioso pra ver a batalha de Winterfell. Fazer o quê? Sou humano.