Lisandro Gaertner's Weblog


Nada mais difícil que ser autêntico.

É impossível identificar de onde vem seus desejos e a que visão de futuro eles servem. A busca pela autenticidade já é falha, pois não é espontânea e, portanto, atende a motivos ulteriores que não a espontaneidade da sua autenticidade, cujo única justificativa e único propósito são nenhum.

Somos máquinas movidas a desejos passados e medos futuros. Racionalizando a nossa identidade em busca de eficiência na busca de uma felicidade nunca permanente. Não olhamos para as benesses do agora, apenas para o que nos falta para o futuro e o que perdemos no passado.

Há escapatória?

Talvez. Talvez a saída seja suprimir o pensamento e simplesmente ser. Não precisamos de uma vida assistida, por nós ou pelos outros. Precisamos de uma vida vivida com todas as suas maravilhosas imperfeições. Isso basta?

"Spring comes, grass grows by itself."

Mais importante que as suas criações, foi nos ensinar que ser adulto não significa ser chato. As suas respostas nas seções de cartas e toda a cultura de autor e mestre de cerimônias de uma comunidade de fãs foram essenciais para a popularização dos quadrinhos. Pena que o que ele fazia organicamente, hoje, se tornou uma metodologia sem alma.

Obrigado por tudo.

Excelsior!

Impossível rever esse filme e não lembrar de como podemos normalizar a anormalidade. Podemos fazer isso através da negação e da alienação transformando o horror em norma e nos tornando instrumentos do mal; ou assumirmos a anormalidade e nos fortalecermos em conujunto na beleza que ainda existe nas nossas relações e nas nossas almas. Esperança e Glória escolheu a segunda opção.

É uma boa sugestão pra o bem viver em 2019.
Não conta pra ninguém mas, sempre que me pego assistindo a algum filme baseado na obra de Michael Crichton, me pergunto que efeitos nefastos ler um techno thriller causaria na minha alma.

Em tempo

Vou dar uma chance. Provavelmente não temos alma, mesmo.

Em tempo #2

As cenas de Realidade Virtual de Disclosure, a.k.a. Assédio Sexual, por mais bregas que sejam, são mil vezes mais divertidas do que as aplicações reais que levamos 25 anos pra chegar com a tecnologia atual. Hoje temos a tecnologia mas não temos a imaginação. É a supremacia da eficiência.
Pra quem que, como eu, não toma café, não há melhor substituto pra uma bebida quente que o Chai Latte.

Todas as receitas que encontrei tem complicações de habilidade e ingredientes que me levam a usar dos expedientes mais preguiçosos. Seja comprar um no Starbucks,bem meia boca; beber um feito na Dolce Gusto, só vale pela facilidade de estar em casa; ou, melhor, beber a melhor versão que encontrei até agora no Café Baroni do OI Futuro.

O Chai fica tão cremoso, que quase dá pra cortar com uma faca e, devido a temperatura, pede uma colher para ser degustado. Pena que não esteja aberto agora.
O que dizer de um dia em que não aconteceu nada e ao mesmo tempo absolutamente tudo? A beleza da rotina só está no olho de quem não a vê.
Sempre que sentir medo ou vontade de desistir, lembre: o Second Life ainda persevera.

Talvez você consiga vencer, talvez o Second Life consiga se tornar popular. O importante é lutar o bom combate.



O ser humano é um bicho que vive cheio de medos, inclusive de ter medo. Não é com armas que eliminamos o medo. O medo se elimina internamente ao se considerar o absurdo ou brevidade de nossas vidas e pela libertação da nossa fantasia de controle.

Cá entre nós, ainda falta muito pra gente chegar nesse estágio. Mas não custa buscar essa iluminação. Certo?

Poderia avisar que tem spoilers, mas ninguém lê isso aqui, então....

E assim House of Cards terminou. Não acho que foi completamente ruim. Mas também não foi bom. A tentativa de gerar uma obra em dois atos, apesar de inteligente, foi mal executada. Para funcionar, os mesmos personagens do primeiro ato, pré morte de Frank, deveriam resolver suas questões no final. Se a série tivesse sido estruturada assim desde o início talvez fosse mais interessante, mas a saída do Kevin Spacey, motivadora dessa guinada narrativa, não justificou essa alteração.

Além disso, o segundo ato deveria ter sido pelo menos um pouco mais longo e não tão corrido como esse, cheio de revelações bombásticas de última hora, personagens funcionais e exageros que só buscavam a emoção fácil da surpresa e do susto.

Outra coisa que sobrou foram os flashbacks da adolescência e da infância da Claire que nem explicaram nada nem adicionaram nada a trama. A passagem da narração pra Claire foi uma boa sacada, mas quando Douglas começou a quebrar a quarta parede foi tudo por água abaixo. Comecei a me sentir na leitura de uma peça de Shakespeare comentada pelo diretor. Pra aumentar essa sensação, o resgate de cenas das peças e da forçação de barra para identificar os personagens com os clássicos foram exageradas.

Não que a série estivesse perfeita. Não estava. Desde o início da presidência de Frank, as coisas já estavam degringolando. Uma maneira interessante de assistir seria parar quando ele se torna presidente e ir para a sexta temporada, mas o excesso de personagens que surgiram e morreram nesse ínterim impediria a compreensão da história. Enfim, foi uma jornada um pouco frustrante, mas teve excelentes momentos como o episódio dos monges. Nem de longe foi a bagunça de Lost, mas, o que fazer?, "life gets in the way".

Lembro que quando House of Cards foi lançada, falavam que era o início da era dos algoritmos na criação de ficção. Isso nos mostra que as coisas não são tão simples assim. As pessoas, graças a Deus, são menos previsíveis do que pensamos, tanto em seus gostos e suas ações, e os problemas e incertezas da produção mostram como é difícil tocar uma obra aberta. Fica a lição. Contemos as histórias que queremos contar, não o que o público acha que deseja ouvir. Vamos errar com mais beleza ao invés de buscar o acerto que nada significa.

Mas, disso, a gente já reclama há muito tempo.

Desafios e oportunidades do jornalismo brasileiro pós-eleições by Pedro Burgos https://link.medium.com/c6JhasHKBR

Um belo texto sobre como a Imprensa deve se posicionar nesses tempos atuais. Sem radicalismos ou ingenuidades.

Passada a tragédia gerada pela polarização, precisamos desse tipo de racionalidade.