Lisandro Gaertner's Weblog

Lisandro Gaertner

Decadence avec élégance

Fake, but good

O problema não é ser fake. O problema é ser mal feito, sem arte e se escorar no ruído permanente das ignorâncias de mau gosto.

Vivemos em ficções. É pedir demais que elas sejam bem feitas?

Bola Dentro


"I want to learn more and more to see as beautiful what is necessary in things; then I shall be one of those who makes things beautiful... I do not want to wage war against what is ugly. I do not want to accuse; I do not even want to accuse those who accuse." - Friedrich Nietzsche

A Liturgia do Cargo



Se engana quem acha que devemos buscar humanidade em nossas lideranças. Privacidade e simplicidade são pra nós, humanos, que não almejamos a história e vivemos com poucas responsabilidades e baixos níveis de ambição. Aos tiranos e projetos de Messias, sedentos de poder, embevecidos e enganados pelas suas próprias tristes figuras, o ônus de toda a pompa e circunstância.

Se querem a glória, que se apertem em cintas e permaneçam em pé por noites a fio cumprimentando desconhecidos que buscam favores dessas tortas divindades terrenas. Se querem poder, que comam o pão que o diabo amassou confrontando desafetos habilidosos ou controlando aliados enlouquecidos. Se querem um espaço nesse panteão de ídolos com pés de barro, que vivam para servir de exemplo.

Pois, a essas figuras trágicas, a humanidade só é reservada às derrotas: trocando seus reinos por animais de carga; declarando na televisão uma honestidade que nem eles mais acreditam ter; vendo suas estátuas serem derrubadas pelos mesmos idiotas que os apoiaram.

Mas o problema não são esses candidatos a lendas improváveis, nem a liturgia do cargo. O problema é o poder. Se desejam se viciar nele, que paguem seu preço mortal.

Enquanto isso, se quiserem nos procurar, estaremos com nosso chapa Diógenes, em seu barril, pegando um bronze, antes que esses falsos deuses venham ficar na frente do nosso Sol.

A geração X destruiu o mundo


Impossível não perceber como a nossa postura de "nada importa" e "minha inteligência não vai servir pra melhorar nada" empoderou os imbecis vaidosos e gananciosos que hoje dominam o mundo.

É um erro achar que o mundo vive um ressurgimento do conservadorismo de direita. Esses malandros não são de direita. Até pra isso é necessário um pouco de cultura. Eles são apenas narcisistas que veneram o anti-intelectualismo.

O verdadeiro final de O Balconista, com a morte de Dante por um ladrão aleatório, se concretizará em breve.

A ideologia dos filmes sem ideologia

Não resisto a uma oportunidade de ver o Robert de Niro arrastar o Sari na Medina. O esforço que ele faz pra manchar a sua história com filmes medíocres que nada acrescentam a sua filmografia e ainda fazem pequenos pastiches das suas glórias é admirável. Um Senhor Estagiário é mais um desses auto atentados. Mas talvez isso não seja o pior de Um Senhor Estagiário. Talvez o que me incomode mais no filme é a ideologia explícita dos filmes que fingem não ter ideologia.

As relações servis no trabalho; o modelo familiar que precisa ser resgatado ao custo da própria felicidade; a fantasia de que o passado tinha valores "melhores" que o presente; a submissão a critérios financeiros, de gênero e de idade. É quase um bingo de conservadorismo com o Brooklyn como pano de fundo.

Tinha muita vontade de ler críticas filosóficas sobre esses filmes que se dizem comerciais, mas são máquinas de propaganda ideológica. Alguém faz esse esforço por mim?

O cemitério da República



O maior sinal da burrice travestida de malandragem da nossa classe política foi a criação e continuidade de Brasília. Só um energúmeno abandona um lugar tão lindo como o Palácio do Catete por medo de pressão popular e pra criar uma câmara de eco. Não a toa elegemos tantos jecas. Também os somos.

São Paulo - 5:37 am



Me espanta a quantidade de lugares que as pessoas acham que tem pra ir num mundo onde o espaço se torna cada vez mais virtual. Deve ser a impressão de que há sempre algo muito importante a ser feito mas em OUTRO lugar.

Imagino como seriam os aeroportos numa sociedade movida ou, melhor, dominada pelo Ócio. Idílicos.

Autenticidade


Nada mais difícil que ser autêntico.

É impossível identificar de onde vem seus desejos e a que visão de futuro eles servem. A busca pela autenticidade já é falha, pois não é espontânea e, portanto, atende a motivos ulteriores que não a espontaneidade da sua autenticidade, cujo única justificativa e único propósito são nenhum.

Somos máquinas movidas a desejos passados e medos futuros. Racionalizando a nossa identidade em busca de eficiência na busca de uma felicidade nunca permanente. Não olhamos para as benesses do agora, apenas para o que nos falta para o futuro e o que perdemos no passado.

Há escapatória?

Talvez. Talvez a saída seja suprimir o pensamento e simplesmente ser. Não precisamos de uma vida assistida, por nós ou pelos outros. Precisamos de uma vida vivida com todas as suas maravilhosas imperfeições. Isso basta?

"Spring comes, grass grows by itself."

Stan "the man" Lee

Mais importante que as suas criações, foi nos ensinar que ser adulto não significa ser chato. As suas respostas nas seções de cartas e toda a cultura de autor e mestre de cerimônias de uma comunidade de fãs foram essenciais para a popularização dos quadrinhos. Pena que o que ele fazia organicamente, hoje, se tornou uma metodologia sem alma.

Obrigado por tudo.

Excelsior!